O poder da narrativa em Stellaris

Para escrever sobre qualquer jogo da Paradox Entertainment, uma Bíblia não seria o suficiente. Talvez no máximo, com muito carinho, um bom começo. Com isso em mente, decidi oferecer uma opinião sobre porque o delicioso Stellaris (steam) merece sua atenção, dinheiro, e tempo de vida.

Concebido pela empresa como uma forma de abrir seu catálogo de jogos cult para um grupo mais abrangente (ou, pelo menos, de nicho, algo que Grand Strategy sempre foi dentro do mercado de games). Stellaris é um “4x”, – termo inicialmente humoroso para a (sub)categoria de jogos cuja genealogia converge ao grande avô Civilization.

Para quem não conhece, Civilization é um jogo cujo objetivo é, a grosso modo, expandir-se ao ponto de dominar o mundo inquestionavelmente. Mas em Stellaris, você quer é a galáxia.

A galáxia de Stellaris não é um lugar pacífico e vazio como até hoje a ciência insiste em apontar. Você vai descobrir o destino de civilizações precursoras que hoje não existem mais ou, ainda pior, estão lá, e são tão tecnologicamente avançadas que você equivale a um inseto (nenhuma ofensa intencional a vocês que jogam com insectóides) sob as botas-espaciais delas; e elas não hesitam em te provar isso. Vai encontrar civilizações neolíticas, vai encontrar civilizações não tão neolíticas assim, vai encontrar rivais que, apesar de jovens raças, são tão avançados ou mais do que você… e fanaticamente militaristas.

O que um pacato cientista em uma nave desarmada de exploração irá fazer, quando as baratas inteligentes que nasceram no planeta Tumba Radiativo, que é o terceiro orbital da estrela Sol, tornam-se uma civilização interestelar cuja personalidade é Purificadores Fanáticos… E portanto a única saudação plausível vinda delas é um sieg heil?

Isso não é um devaneio vago: é a descrição de uma das minhas partidas.

E não uma das minhas mais bem-sucedidas.

O início de uma partida de Stellaris é enganosamente simples: o incauto jogador selecionará uma espécie, assim determinando certos trejeitos básicos como aparência, lista de nomes plausíveis para espaçonaves e líderes, a forma de governo, suas éticas e inclinações naturais genéticas. Isso e vários outros detalhes, tão customizáveis quanto se pode imaginar.

Você também vai determinar alguns detalhes sobre a galáxia que será aleatoriamente gerada, tal como o número de estrelas, a quantidade de outros impérios que entram no cenário galáctico simultaneamente ao seu, entre outros – um setup bem padrão ao gênero.

Print screen de uma galáxia gerada pelo jogo Stellaris.

A partir daí o universo é, essencialmente, um espaço aberto para o prazer do jogador. O direcionamento que se recebe é mínimo ao ponto de inexistente.

Há duas condições de vitória: “conquista”, na qual a sua federação (ou mesmo, apenas seu império) precisa ser a única remanescente na galáxia, e “dominação”, na qual o seu império (e apenas seu império) precisa colonizar 40% dos planetas na galáxia capazes de suportar vida. Ainda bem, imagina ter que colonizar Júpiter… ou Plutão?

Rapidamente, o jogador descobre que esses objetivos são esquecidos em prol do que eu diria ser a carne do jogo: narrativas. Aqui, você constrói a narrativa do seu império. Quem somos, e para onde vamos? O que vamos descobrir no caminho? Que decisões vamos tomar, sociais, militares, tecnológicas? O QUE EM NOME DA GRANDE POLVA É ESSA P#$*&?! (uma exclamação muito provável se, como eu, você não estiver esperando encontrar o Terror Dimensional).

O jogo te dá pistas, eventos e correntes dos mesmos para ir escrevendo essa narrativa, enquanto você lida com Impérios Ancestrais Caídos que são xenófobos fanáticos, plantas sentientes capitalistas que declaram guerra se você não realizar acordos comerciais, nômades apenas de passagem pela galáxia, seres gasosos, e aquela pequena coceira no canto mais moralista do seu cérebro te dizendo “você não é ruim por genocidar essa espécie alienígena que declarou guerra em você três vezes e você foi forçado a anexar ao seu império… pode clicar esse botão de expurgar, eles pediram por isso”.

Talvez você até acredite nisso, enquanto a sua população de avianos pacifistas protesta com greves e rebeliões…

Se essas descrições todas lhe despertaram o interesse, permita-me acalmar qualquer nervosismo sobre a dificuldade de jogá-lo. O tutorial cobre todos os aspectos do jogo em detalhes suficientes para que poucas dúvidas restem, e uma wiki oficial existe para sanar qualquer uma que reste. O jogo não só é bom, como serve habilmente de portal de abertura para o complexo e, devo eu dizer, maravilhoso mundo dos jogos que caem sob a égide de “Grand Strategy”.

Como consideração final, apenas posso dizer: Eu, e minha Hierarquia Harmoniosa de plantóides, escrevemos a nossa história, uma de exploração científica guiada pelo nosso Materialismo fanático, e de ordem absoluta, expurgando todos os elementos sediciosos da nossa sociedade…

Qual é a sua história?

Artigo escrito pelo parceiro Gregório Ferraz.
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10 Discussion to this post

  1. Vickawaii disse:

    Eita, que jogo massa! Eu nunca joguei Civilization, mas só a proposta (e uma apresentação de coral da música de abertura – sério, foi muito impactante ashduiahdiu) já me deu a ideia de ser um jogo bem desenvolvido e interessante. Gostei bastante da ideia de dominar a galáxia, e o fato de ser um jogo bastante aberto promete que cada “partida” seja diferente da outra. Nunca tinha ouvido falar de Stellaris, mas vou conferir!

    Beijos, Vickawaii
    http://finding-neverland.zip.net

    • Jade Amorim disse:

      Vick, é realmente um jogo beeeem complexo, e genialmente pensado. Eu fico matutando como esses caras conseguem desenvolver umas coisas assim, sabe? Fico feliz que tenha gostado, espero que experimente! 😀

  2. hellz disse:

    OOOOOOOOOI

    esse lance de dominar a galáxia soa muito bom :B mas confesso que sou mei leiguinha no que diz respeito a jogos e eu meio que bugo D: HAHAHAHA
    que tipo de nerd fajuta eu sou? u.u

    beijo
    beinghellz.com

    • Jade Amorim disse:

      Dominar a galáxia é uma ótima ideia! hahahaha Eu entendo você ficar meio bugada, eu mesma sofro com alguns games que são fora da minha zona de conforto, não tem nada errado com isso não! ♥

  3. Jhenifer Runffe disse:

    Não sou muito de jogos, mas achei tudo???!

    http://www.ceuemversos.com.br

  4. Mano, esse jogo é muito foda. Jogos do gênero sempre me atraem, o foda de Stellaris é quantidade de DLCs que a gente se sente obrigado a comprar depois D: dsadkhaksudhsaukhdsad tipo civilization mesmo. No momento só ando jogando shootters e os de sobrevivência, adoro

    bjs, Carol | Espilotríssimo
    http://www.carolespilotro.com

    • Jade Amorim disse:

      Stelarris é um jogo que dá altos nós no meu cérebro, sabe? Eu sou muito boboca jogando esses jogos de gand strategy. Civilization então eu vejo minha amiga jogando e fico boiaaaaando. hahahahah

  5. Mandy disse:

    A narração por si só já te instiga a querer jogar, achei bem interessante a proposta do jogo “dominar a galáxia” por que não? Nunca joguei RPG antes, mas essa forma que o jogo foi narrado despertou meu interesse.

    beijos,
    deloucostodossomosumpouco.blogspot.com.br

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