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Eis o famoso pampa d'A Casa das Sete Mulheres

Quem pensou na minissérie da Rede Globo que foi ao ar em 2003 quando leu ‘A Casa das Sete Mulheres’, acertou. Esta resenha é sobre o livro homônimo da gaúcha Letícia Wierzchowski, relançado agora pela Editora Bertrand Brasil e abalou minhas estruturas.

Antes de tudo, gostaria de deixar vocês avisados de uma armadilha (na qual eu caí): A Casa das Sete Mulheres é o primeiro de uma série de três livros. O último vai ser lançado neste ano, também pela Bertrand Brasil nessa nova edição lindíssima. MAS CUIDADO, PORQUE A HISTÓRIAS DE PERSONAGENS QUE APARECEM NA CASA DAS SETE MULHERES CONTINUA NOS OUTROS. Eu fui ler uma entrevista da Letícia falando sobre o lançamento e tomei na cara o spoiler da minha vida sobre a história de um dos personagens principais. TEJEM AVISADOS.

A longa guerra começa no pampa

No dia 19 de setembro de 1835 eclode a Revolução Farroupilha no Continente de São Pedro de Rio Grande. […] O exército farroupilha, liderado por Bento Gonçalves da Silva, expulsa as tropas legalistas e entra na cidade de Porto Alegre no dia 21 de setembro.

— A Casa das Sete Mulheres

Até aí tudo bem. Essa parte da história realmente aconteceu do jeito que é narrado no livro – eu não estudei o ensino básico no Brasil então perguntei para o meu pai que é professor de história e ele confirmou.

Antes de Bento Gonçalves partir para a guerra, ele reúne todas as mulheres da família e as manda para um lugar de difícil acesso, a Estância da Barra, para que elas esperem em segurança até a guerra acabar. E é a vida dessas mulheres durante essa espera que Letícia narra em A Casa das Sete Mulheres – e bom, é aí que começa a ficção.

Primavera nos pampas

Na Estância, passam a dividir o mesmo teto Ana Joaquina, Maria Manuela, Caetana, Perpétua, Manuela, Mariana e Rosário, além de algumas crianças. E aqui já aproveito para confessar um pecado: até o final do livro eu não entendi muito bem o parentesco entre elas. Acho que eu vou ter que reler e desenhar uma árvore genealógica depois.

O tempo passa, a guerra não acaba e aquelas mulheres passam a dividir a ansiedade de ter seus pais, maridos e filhos na guerra. Ah, e imagine também os hormônios de todo mundo, tanto das casadas, quanto das solteiras, sem nem a perspectiva de ter homens por perto? Pois bem.

Parte dos acontecimentos é narrado também na perspectiva pessoal de Manuela, por meio das anotações do caderno dela. Porém, fica aqui a dica: todas as vezes que aparecer a parte do Caderno de Manuela, REPAREM NAS DATAS. ISSO É MUITO IMPORTANTE, VIU?

Não imaginava ela o que o futuro estava reservando à província, nenhuma das mulheres o imaginava naquele princípio manso de primavera nos pampas.

— A Casa das Sete Mulheres

Mas claro, a autora não deixa as meninas sofrerem por muito tempo e alguns rapazes aparecem eventualmente. Há altos babados envolvendo cada uma das diferentes histórias de amor, que são umas quatro. Sem condições deu deixar minhas impressões de todos os romances, porque se não vocês vão ficar aqui duas semanas lendo esse post. Leiam o livro ao invés disso e me contem depois qual é o OTP favorito de vocês.

A arte de sofrer é inconsciente

O que eu mais gostei nesse romance é que a autora descreve diferentes maneiras de como as mulheres se deixam envolver com outra pessoa. Aliás, não só com outra pessoa, mas com a realidade em volta delas em geral. O que se passa na cabeça daquelas mulheres enclausuradas, a relação delas com seus homens, a com a guerra e a relação delas com elas mesmas diante de tudo que estava acontecendo e de tudo que era esperado delas.

Um romance sobre vários relacionamentos iguais, mas vividos por várias mulheres com personalidades diferentes. Isso mostra também a singularidade de cada pessoa – não é porque todo mundo está na mesma situação, que, consequentemente, todo mundo vai pensar e agir igual.

E tem também a questão do prazer, embora bem romantizado, claro. Acho que também porque há mais de dez anos quando esse livro foi publicado, essa questão também não era tão discutida assim. Não sou capaz de opinar sobre isso, porque 1) eu tinha nove anos de idade quando esse livro surgiu e 2) mesmo que hoje em dia o prazer feminino seja bem mais discutido que antes, eu particularmente ainda acho que falta muito diálogo sobre a relação da mulher com o corpo dela. Isso aí já é outra história, mas eu acho que vale o questionamento para quem for ler o livro: mulheres também precisam ter suas necessidades supridas, viu?

A Casa das Sete Mulheres na Globo

As lindas Mariana Ximenes (Rosário) e Camila Morgado (Manuela) fazem parte do elenco <3

Eu lembro nitidamente da musiquinha de abertura, mas não lembro de episódio nenhum, por isso também não sou capaz de dizer se a minissérie é fiel ao livro. Porém, está definitivamente na minha lista e prometo fazer um post sobre o que eu assisti para vocês.

Eu fui atrás de algum trecho e enquanto eu pesquisava, eu pensei: “Cara, imagina as cenas de beijo que esse livro tem, como que deve ter tido uns enquadramento meio trash há uns dez anos”. Não deu outra: (não vou falar quem é quem, leiam o livro ou assistam a minissérie que vocês vão saber)

Ainda bem que a Globo melhorou nos enquadramentos

OBS: FALANDO EM ENQUADRAMENTOS: Vocês reparam quão linda ficou a foto da capa do livro? Vou colocar ela aqui de novo, só para exaltar:

Quem tirou foi meu miguxu Gabriel, ele manda muito bem nas fotos dele. Sigam ele no Instagram, ele vai amar: @greenmalkin.  Gabs, se você ler isso aqui, saiba que eu estou eternamente agradecida ;3;


A Casa das Sete Mulheres
Título da obra: A Casa das Sete Mulheres
Série: A Casa das Sete Mulheres
Autoria: Letícia Wierzchowski
Páginas: 462
Gênero: Romance, História do Brasil
Editora: Bertrand Brasil
ISBN: 9.78852862204E+12
Ano de publicação: 2015
Onde encontrar: SkoobGoodreads
Onde comprar: AmazonSaraivaSubmarino
Sinopse: Durante a Revolução Farroupilha (1835-1845) — uma luta dos latifundiários rio-grandenses contra o Império brasileiro —, o líder do movimento, general Bento Gonçalves da Silva, isolou as mulheres de sua família em uma estância afastada das áreas em conflito, com o propósito de protegê-las. A guerra que se esperava curta começou a se prolongar. E a vida daquelas sete mulheres confinadas na solidão do pampa começou a se transformar. O que não está nos livros de história sobre a mais longa guerra civil do continente está neste livro de Leticia Wierzchowski, um exercício totalizador sobre a violência da guerra e sua influência maléfica sobre o destino de homens e de mulheres.
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20 comentários
  • Marta Izabel

    Oi, Barbara!!
    Nossa a minissérie A casa das sete mulheres da Rede Globo já tem 14 anos?!! Nossa fiquei bem chocada com essa informação!! ? E não sabia também que são três livros que contam essa estória!!! Adoraria ler esse livro e que capa linda!!
    Bjoss

    Responder
    • Bárbara Cavalcanti

      MAIS DE UMA DÉCADA, ACREDITA NISSO???????? eu tb fico pasma todas as vezes ahhahaha
      e muito muito muito obrigada!!! <3 <3 <3

      Responder
  • Nicole Longhi

    Eu estou chocada e brava comigo ao mesmo tempo, por não saber da existência deste livro!
    Quando assisti a minissérie eu me apaixonei logo no primeiro capítulo, tanto pelos personagens, pela história e pela sensacional atuação dos atores.
    Gostei muuuito de saber que há um livro sobre, e são 3 ainda.
    Já estou louca por ele, e já quero!
    Ótima dica!

    beijinhos

    Responder
    • Bárbara Cavalcanti

      CORRE LÁ E LÊ E APROVEITA E ME CONTA O QUE ACHOU DEPOIS <3 <3 <3

      Responder
  • Luíza Fried

    Olá!
    Não sou muito fã de coisas de época, me dá um soninho que não sei. Talvez eu deva "aprender" a ler… Sei que a minissérie fez bastante sucesso então imagino que será o mesmo com a adaptação literária, pena ter vindo bem depois, né? Ah… Ps.: A capa ficou muito bonita, bem delicada!

    Responder
    • Bárbara Cavalcanti

      como não gosta de coisa de época??????? já eu amo essas coisas HAHHAHAHAH
      e obrigada pelos elogios ;3;

      Responder
  • Marlene Conceição de Jesus

    Oi Bárbara.
    Eu não assistir a minissérie, acho que isso se dar ao fato que só tinha 4 anos quando estava no ar, mas achei a ideia do livro interessante, não sei bem se leria, mas ainda assim ele me chamou a atenção, essa capa é bonita e irei cobrar o post sobre a minissérie.
    Bjs.

    Responder
    • Bárbara Cavalcanti

      pode cobrar!!! porque está super na minha lista!!!

      Responder
  • RUDYNALVA CORREIA SOARES

    Barbara!
    Tive oportunidade de ver a adaptação televisiva, antes de ler a obra, infelizmente.
    É que o livro é mais cheio de detalhes, inclusive sobre a personalidade das personagens e sobre seus sentimentos em relação aos acontecimentos e amores.
    Adorei todos os dois e também recomendo, apesar das cirações racistas, mas temos de entender que faziam parte naquela época…
    Que o final de semana seja de alegria e paz!
    “Conhecimento sem transformação não é sabedoria.” (Paulo Coelho)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE SETEMBRO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

    Responder
    • Bárbara Cavalcanti

      sobre as citações racistas: entrei em um papo com meu pai sobre exatamente esse assunto com meu pai esses tempos atrás. é sempre necessário levar em consideração o contexto em que esse livro foi escrito, mas eu acho que vale a pena a reflexão sobre como esse tipo de pensamento se perpetua até hoje também.
      e sobre o livro/adaptação: sempre assim, as adaptações nunca comportam toda maravilhosidade dos livros!!

      Responder
  • Lua

    Também não lembro muito da minissérie da globo n, mas fiquei curiosa com o livro

    Responder
    • Bárbara Cavalcanti

      lê!!! vc não vai se arrepender!! <3

      Responder
  • Lilian Moraes

    Nossa, eu tenho uma vaga lembrança dessa minissérie! Não sabia que tinha livro e que ainda por cima são 3! hahaha

    Beijos
    http://orangelily.com.br/

    Responder
    • Bárbara Cavalcanti

      eu to rindo sozinha todas as vezes que alguém fala que lembra da minisérie PORQUE EU SEI BEM COMO É A SENSAÇÃO ahahhaha <3

      Responder
  • Talita Oliveira

    Se é capa, temos capa, se é história, temos história! Não fazia ideia de que é uma série, bom me informar.
    Preciso ler esse livro pra já, além do teor histórico me aparenta ser um baita livro, tenho altas expectativas.
    Obs: também odeio tremendamente spoilers, kkkk

    Bjs!!! E, que resenha maravilhosa! 😀

    Responder
    • Bárbara Cavalcanti

      ASSISTE LOGO ESSA SÉRIE MENINA É CHEIO DE HOMENS LINDOOOOS ahhahahah <3
      e obrigadão pelo elogio, obrigada mesmo <3 <3 <3

      Responder
  • Gabriela Farias Soares

    Cara. eu também lembro da minissérie mas não consigo lembrar direito de episódio nenhum nem nada, só sei que eu adorava hahaha (e menina que enquadramento terrível mesmo HAHA). Tô lendo O Continente agora pro vestibular e também tô nessas de criar a árvore genealógica dos personagens, porque senão é impossível de entender a história mesmo, é nome demais pra gravar. Enfim, tenho muita vontade de ler esse livro e adorei a resenha, só me deixou com mais vontade ainda de fazer essa leitura <3
    Um beijão,
    Gabs | likegabs.blogspot.com ❥

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    • Bárbara Cavalcanti

      isso foi uma indicação disfarçada? porque olha, agora esse livro está anotado na minha lista, conte-me mais ahahahhah <3

      Responder
  • Karolini Barbara

    Falou em casa das sete mulheres lembrei da Rede Globo e a minissérie que ganhou meu coração. Uma das poucas que ganhou meu coração. E eu não sabia que eram no total três livros, estou rosa chiclé e doida para ter essas relíquias em minhas mãos.

    Ps.: As editoras estão em uma onda sobrenatural de fazer relançamento de obras consagradas, é pouco dinheiro para tanto livro. O.O

    Até mais! O/
    Karolini Barbara

    Responder
    • Bárbara Cavalcanti

      MAS NEM ME FALA EM POUCO DINHEIRO PRA TANTO LIVRO, TO SOFRENDO HORRORES Responder

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