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A Sombra do Vento e as coisas que realmente marcam um leitor

Imagem por Mundo Blah

Poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho ao seu coração. É isso que você lê logo no prólogo de A Sombra do Vento, nas suas ultimas linhas. E em seguida tem a certeza de que aquele livro não é um livro qualquer.

Um livro que roda em torno de um outro livro, mas que ao mesmo tempo consegue criar um ambiente de dor e de abandono, mostrar uma cidade que sangra pelo pós-guerra e a vida solitária de um menino que acorda no meio da noite, desesperado, porque não consegue se lembrar mais do rosto da mãe morta.

Cresci no meio de livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó e cujo cheiro ainda conservo nas mãos.

E assim  Carlos Ruiz Zafón já te prende logo no começo com um enredo que mistura gêneros como o romance de aventuras de Alexandre Dumas, a novela gótica de Edgar Allan Poe e os folhetins amorosos de Victor Hugo.

Esbarrei neste livro como que por acaso, numa das minhas voltas pela livraria em busca da próxima vítima. Gostei da sinopse, da crítica e da capa. Mas, principalmente, gostei daquele prólogo cheio de palavras, sobre as palavras. Em menos de uma semana tinha devorado suas quase 400 páginas num suspiro triste.

Isso foi nove anos atrás.

Falei-lhe como, até aquele instante, não havia compreendido que aquela era uma história de pessoas solitárias, de ausência e de perda, e que, por esse mesmo motivo, havia me refugiado nela até confundi-la com a minha própria vida, como quem escapa pelas páginas de um romance porque aqueles que precisam amar são apenas sombras que moram na alma de um estranho.

No fim você não sabe como se sente. Se feliz, triste, amargurado ou satisfeito. É uma mistura, pois Zafón tem o dom de despertar sentimentos conflitantes, de te fazer mergulhar naquele ambiente de luzes e brumas como se você fosse o próprio Daniel Sempere.

Vi-o crescer, se apaixonar pela primeira vez, ter suas decepções amorosas, bancar o detetive com Fermín que, com ar de galante, dava-lhe lições sobre as mulheres que qualquer homem deveria, por obrigação, ter num caderninho de bolso.

Vi-o se enfeitiçar pelas palavras e ter medo, receios e vergonhas. Mas, principalmente, o vi se transformar num homem. De longe é o meu livro preferido. Talvez exatamente por que comigo aconteceu o que aquele quote ali em cima diz. Foram essas – amareladas e gastas de tanto serem manuseadas – páginas que abriram caminho para o meu coração. Além, é claro, de influenciar diretamente nas minhas próprias palavras.

O destino costuma estar na curva de uma esquina. Como se fosse uma linguiça, uma puta ou um vendedor de loteria: as três encarnações mais comuns. Mas uma coisa que ele não faz é visita em domicílio. É preciso ir atrás dele.

Já tem quase um mês que garanti a minha cópia de O Labirinto dos Espíritos, o livro que finalmente encerrará a trilogia que começou com A Sombra do Vento na minha vida. O livro ainda não foi oficialmente lançado e ainda não chegou, então preciso confessar que estou bastante ansiosa.

Por conta disso que resolvi, neste BEDA, revisar e atualizar minha resenha da obra. A Sombra do Vento precisa ser lembrado, amado e divulgado. Ele precisa marcar tantos corações e acalentar tantas almas quanto fez comigo.


Nome: A Sombra do Vento
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Gênero: Romance, aventura
Página: 400
Editora: Suma de Letras
Skoob | GoodReads

Sinopse: Tudo começa em Barcelona, em 1945. Daniel Sempere está completando 11 anos. Ao ver o filho triste por não conseguir mais se lembrar do rosto da mãe já morta, seu pai lhe dá um presente inesquecível: em uma madrugada fantasmagórica, leva-o a um misterioso lugar no coração do centro histórico da cidade, o Cemitério dos Livros Esquecidos. O lugar, conhecido de poucos barceloneses, é uma biblioteca secreta e labiríntica que funciona como depósito para obras abandonadas pelo mundo, à espera de que alguém as descubra.

É lá que Daniel encontra um exemplar de "A Sombra do Vento", do também barcelonês Julián Carax. O livro desperta no jovem e sensível Daniel um enorme fascínio por aquele autor desconhecido e sua obra, que ele descobre ser vasta. Obcecado, Daniel começa então uma busca pelos outros livros de Carax e, para sua surpresa, descobre que alguém vem queimando sistematicamente todos os exemplares de todos os livros que o autor já escreveu. Na verdade, o exemplar que Daniel tem em mãos pode ser o último existente. E ele logo irá entender que, se não descobrir a verdade sobre Julián Carax, ele e aqueles que ama poderão ter um destino terrível.

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15 comentários
  • Luíza Fried

    A sinopse desse livro é bem intrigante, diferente e interessante. Gostei. Porém, o seu relato sobre essa leitura é muito mais cativante do que tudo que encontramos na sinopse… Espero ter a oportunidade de lê-lo em breve pois me chamou muita atenção, esse autor deve ser bom mesmo, não é a primeira vez que ouço falar tão bem de sua escrita.

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  • Rubyane

    Esse livro parece ser bem famoso e eu só fui ouvir falar dele pela primeira vez esses dias, mas logo de cada me interessei. Se tem uma coisa que gosto de encontrar nos livros é emoção, histórias que me façam sentir algo e A Sombra do Vento parece ser tipo de livro. Espero poder ler ele logo…
    Ótima resenha ♥

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  • Falkner Moreira

    Oi Jade, tudo bom? <3 A Sombra do Vento é o meu livro preferido DA VIDA! É muito difícil pra mim, inclusive, falar sobre ele, ou decidir se gosto mais desse ou de O Jogo do Anjo. Mas o Zafón tem uma escrita tão incrível que enfeitiça, encanta o leitor de cabo a rabo. E concordo demais contigo: esse livro precisa ser lembrado e divulgado sempre! <3

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  • Marlene Conceição de Jesus

    OI Jade.
    Essa é a premira vez que vejo falar desse livro, porém essa premissa já me chamou bastante a atenção.
    Se tem dois gêneros que adoro é romance e aventura, fiquei super animada em saber que iremos acompanhar a vida do personagem e coisa toda de decepções amorosas e tudo mais, enfim gostei e fiquei curiosa para ler.
    bjs.

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  • RUDYNALVA CORREIA SOARES

    Jade!
    Zafón tem esse dom mesmo de teletransportar o leitor para dentro do livro e vivermos a história como se fosse conosco mesmo.
    Feliz em ver que nesse exemplar ele engloba um pouco de cada estilo literário, abrangendo assim, um púclico ainda maior, porque todos temos um gênero que gostamos mais e se todos estão em um único livro, é perfeito.
    Quero poder apreciar mais esse livro do autor.
    cheirinhos
    Rudy

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  • Vanessa

    Livro do final da minha adolescência <3 gosto demais dele. Mas queria reler para relembrar. Pena que nao pude trazer meus livros do Brasil.

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  • Gabi Pinheiro

    Comprando um exemplar em 3, 2 1… Que resenha menina! A cada palavra sua eu já ia imaginando como seria o livro. O que eu mais gosto da leitura é o poder que ela tem de tocar as pessoas e fazer repensar diversos assuntos.

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    • Jade Amorim

      Gabi, fico feliz que tenha gostado da resenha, ele é genuinamente sensacional e saber que minha resenha conseguiu convencer você disso me deixa muito feliz!! Não vai se arrepender.

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  • Nina Auras

    Jade! Que felicidade ver esse teu post aqui! Eu também amo "A Sombra do Vento". O começo já me marcou. Quando o menino encontra o livro, já estava enfeitiçada. Conforme a estória se desenrolou, já estava apaixonada. Na época, estava tão encantada com "O Morro dos Ventos Uivantes" que ASDV virou mais um dos livros incríveis que estava lendo… Depois de ler esse teu post, eu decidi relê-lo. Porque eu tenho certeza, principalmente agora, que ele é mais do que isso. Um beijão,

    Nina (:

    OBS: Aaah, acho que eu leio sua fanfic! HIOSASAJ Esses dias eu ia começar a ler uma, pela qual tinha votado, chamada "Meu Imortal". Acabei ainda não lendo o primeiro capítulo, aí esses dias entrei no perfil da autora, meio correndo e sabendo que não ia dar para ler naquele dia, e se não me engano o blog dela era, bom, esse. Por acaso é você? HAOISSAIJ, Um beiiijo, desculpe incomodar.

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  • Jeniffer Yara

    Oi,passando aqui pra avisar que o link do meu blog mudou,agora é http://mon-autre.blogspot.com/ :} Caso tenha em algum gadget seu o link antigo: jenifferyara.blogspot.com, peço que exclua por que ele pode apresentar um aviso de malware, caso não tenha, desconsidere esse pedido.

    Desculpe pelo comentário 'automático'

    Beijinhos

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  • Ana Seerig

    Acho que esse foi um dos poucos livros que foram consideramos "best seller" nos últimos tempos e eu li. Adorei ele, me fez pensar muito e, provavelmente, mudou meu olhar diante de algumas coisas.

    É um livro que ainda pretendo reler pra poder extrair mais um pouquinho dele pra mim. Boa dica.

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  • Isadora

    Adoro de paixão esse livro, fez muito sentido pra mim. Tenho que ler de novo!

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  • Larissa Galasso

    Li esse livro dois anos atrás e me apaixonei! Me apaixonei pela história, pelos personagens (ah Julian… rs), com certeza esse foi um dos livros que agravaram minha paixão por literatura! Vale a pena ser lido quantas vezes forem necessárias. É lindo, perfeito!

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  • Lu Rosário

    Infelizmente eu ainda não o li, mas você me fez sentiur vontade de também devorar tais páginas. Ao ler sua publicação, parei para pensar qual foi o primeiro livro que li tão vorazmente e, sabe, só lembrei de Clarice Lispector em "A hora da estrela", nunca me esqueço de minha primeira identificação com alguem personagem. No mais é mais.

    Um beijo.

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  • Inercya

    Ganhei esse livro de presente faz certo tempo e me lembro bem que devorei em alguns dias. Ah, e o pior é que não lembro muita coisa, mas esse seu post me deu uma vontade imensa de voltar a relê-lo. O que me lembro é do Cemitério dos livros…E sei que, na época que li, fiquei encantada e gostei demasiadamente. Com certeza vou ler de novo. 🙂

    e essas frases, hein? você escolheu as melhores mesmo. as duas primeiras me deixaram sem palavras.
    :***

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