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As 'Belas Maldições' de Terry Pratchett e Neil Gaiman

O livro do apocalipse da Bíblia sempre rende bastante pano pra manga. Eu, com apenas 22 anos, já devo ter vivido uns 3 ou 4 "previsões do fim do mundo". Como podem ver, sobrevivemos a todas elas. Que bom, ou não, quem sabe, talvez.

De acordo Terry Pratchett e Neil Gaiman, as  Justas e Precisas Profecias de Agnes Nutter, a Bruxa é o único livro de profecia que previa exatamente quando o mundo iria acabar. E ele acabaria num sábado, pouco antes da hora do jantar. E tanto para Crowley, um demônio que vive na terra desde os começo dos tempos, quanto para Aziraphale, um anjo na mesma situação, o amargedon é uma situação bastante inconveniente.

O que acontece é que eles talvez tenham se apegado ao estilo de vida dos humanos.

– Então é isso […] Nada mais de compact discs. Nada mais de Albert Hall. Nada mais de bailes. Nada mais de Glyndboume. Apenas harmonias celestiais o dia inteiro.
[…]
– Mas depois que vencermos a vida será melhor! […]
– Mas não será tão interessante. Escute, você sabe que eu estou com a razão. Você seria tão feliz com uma harpa quanto eu com um tridente.

Belas Maldições é mais um livro de fim do mundo que eu li esse ano. Só que dessa vez a pegada é bastante diferente, bem menos ficção científica e muito mais pro lado da fantasia.

Terceiro livro com dedo do Gaiman também do ano, fico satisfeita em saber que a promessa que fiz de me envolver mais com o autor esteja dando certo. Apesar de que, ao que fiquei sabendo após alguma pesquisa, o maior mérito da obra seja do Terry Pratchett.

A narrativa dele  me lembrou muito de O Guia do Mochileiro das Galáxias. Frases curtas, sacadas inteligentes, trocadilhos, bate e volta em analogias. Não sei se isso foi algo que deu muito trabalho na hora da tradução,  mas houve momentos em que encontrei vários erros. Fosse de digitação, às vezes concordância, palavras faltando ou frases que não faziam o menor sentido.

Isso aconteceu menos de dez vezes num livro de 350 páginas, então teoricamente é pouco, mas é algo que gera uma quebra de ritmo de leitura incomoda, pelo menos para leitores mais atentos, como eu.

Os quatro Motoqueiros do Apocalipse

A narrativa nos trás três grandes arcos. O primeiro se dá no nascimento e na troca de bebês do Adversário, Destruidor de Reis, Anjo do Abismo, Grande Besta que é chamada de Dragão, Príncipe Deste Mundo, Pai das Mentiras, Filho de Satã e Senhor das Trevas, vulgo o Anticristo responsável por trazer o apocalipse daqui 11 anos.

O segundo é acompanhando Crowley e Aziraphale em suas bem elaboradas farpas de inimigos por conveniência e seus planos para que possam prolongar o Armagedom  por pelo menos mais 11 anos. Por fim, temos o fatídico sábado, onde todos os núcleos da história se encontram e o plano divino converge para seu fim inefável.

Inefável. Terry Pratchett realmente parece gostar dessa palavra.

Pode ajudar na compreensão das questões humanas ter uma noção clara de que a maioria dos grandes triunfos e tragédias é provocada não porque as pessoas são fundamentalmente boas ou más, mas porque são fundamentalmente pessoa.

Divertido, instigante e inteligente. O ritmo de leitura de Belas Maldições é bem mais fluído que o padrão de qualidade do Gaiman, porém você pode acabar um pouco perdido se não tiver um fluxo de pensamento rápido para conseguir acompanhar as mudanças de ideia que Terry Pratchett te induz.

O autor muda de uma coisa pra outra e outra de uma linha para outra. E isso é legal. É dinâmico.

E é engraçado. Eu não sei vocês, mas eu amo aquele humor inteligente bem utilizado.


Nome: Belas Maldições
Autor: Terry Prachett e Neil Gaiman
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 350
Goodreads | Skoob

Sinopse: O mundo vai acabar em um sábado. No próximo sábado, e ainda por cima antes do jantar. O que é um grande problema para Crowley, o demônio mais acessível do Inferno, residente na Terra, e sua contraparte e velho amigo Aziraphale, anjo genuíno e dono de livraria em Londres. Depois de quatro mil anos vivendo entre os humanos, eles pegaram um gosto pelo mundo, e o Armagedom lhes parece um evento bastante inconveniente. Então, para evitar o fim do mundo, precisam encontrar a chave de tudo: o jovem Anticristo, agora um menino de 11 anos vivendo tranquilamente em uma cidadezinha inglesa. Em seu caminho, acabarão trombando com uma jovem ocultista, dona do único livro que prevê precisamente os acontecimentos do fim do mundo, caçadores de bruxas ainda na ativa e, quem sabe, até os Quatro Cavaleiros do Apocalipse.

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8 comentários
  • Erika Monteiro

    Oi Jade, tudo bem? Ainda não conhecia o livro mas considerei o enredo bem diferente. É interessante perceber como autores trabalham juntos e desenvolvem um livro. Comprei um livro do Gaiman mas ainda não comecei ler mas está na minha lista. Ótima resenha. Beijos, Érika =^.^=

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  • Camyli Alessandra

    Livros sobre o apocalipse estão bem longe da minha zona de conforto mas até que essa resenha me inspirou a ler algum livro sobre.² O autor Neil Gaiman não decepciona nas suas histórias…

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  • Patricia

    Excelente resenha! Filmes e livros sobre o Apocalipse sempre despertam minha curiosidade! É mais um que vai pra minha listinha, com certeza! Haha Um beijo ❤

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  • Luana Souza

    Aparentemente, o livro recebeu uma boa classificação sua e parece ser bem interessante. Eu também sobrevivi a alguns "fins do mundo", e gosto muito de ler sobre o assunto, seja previsões reais ou fantasiosa! A leitura já entrou na minha wishlist :3

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  • Gislaine

    Ahh, esse livro… Eu me interessei pelo tema e pela apresentação da sinopse (e da arte gráfica), mas fiquei um pouco com o pé atrás quando disseram que recorda O Guia do Mochileiro das Galáxias. Não que eu não goste da obra de Douglas Adams, mas eu totalmente não me senti no clima de outro livro no estilo, sabe? Bem, que bom que você gostou! Vou deixar a possibilidade em aberto, quem sabe um dia…
    Literalize-se

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  • Geovana carolina

    Livros sobre o apocalipse estão bem longe da minha zona de conforto mas até que essa resenha me inspirou a ler algum livro sobre. Acho que esse é perfeito ja que você disse que é mais dinâmico e tal! De qualquer forma foi bom acessar a sua resenha ☺️ Bjosss

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  • Ane Carol

    Ler a sinopse já me fez lembrar o livro O Guia do Mochileiro das Galáxias. Se ele fosse um filme acho que ele seria mais engraçado que assustador. Mas ainda assim é um tipo de livro que não costumo ler, apesar de parecer ser uma leitura agradável apesar da temática.

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  • Rayanne Bucweitz

    Fiquei muuuuuito interessada! Não vejo a hora da minha resseca literária me largar de vez e parar de me limitar aos livros lights e levinhos.
    Nunca li nada do Gaiman mas morro de vontade, porém aquele medinho de não ser rápida o suficiente pra continuar no ritmo do livro me deixa com o pé atrás hahaha beijo!

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